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“MONK” File 004: Quero Um Oompa Loompa

  • Foto do escritor: Bernardo
    Bernardo
  • 8 de jun.
  • 2 min de leitura


Ano 2001. Minha criatividade era livre de qualquer julgamento, livre de qualquer “Chat, como diferentes públicos podem interpretar isso?”. Sim, era engessada pela falta de vivência, referências e visão de mundo de um garoto de 7 anos. Mas sinto que a maneira como ela operava era exatamente a mesma de hoje. Tanto era a mesma, que desde aquela época eu já sofria de insônia. Mas de insônia boa, criativa. A insônia ruim veio depois.


Ali estava eu, em uma madrugada qualquer, deitado na cama dos meus pais (dormia no meio deles), olhando para o teto, sem o menor sinal de sono. 


Como ninguém nunca fez um boneco dos Oompa Loompas? 


É, eu amava A Fantástica Fábrica de Chocolate e em especial os ajudantes anões de cabelo verde do Willy Wonka. Outra coisa que eu também amava eram bonecos, minha coleção era bem vasta, mas sempre havia espaço para mais um.


Não lembro se acordei ou se nem dormi naquela noite arquitetando o plano. No café da manhã, era a hora do pitching. Eu praticamente incorporado pela Veruca Salt – a garota do filme que pede pro pai um cisne que bota ovos de ouro –, lancei a ideia na mesa:


– Pai, eu tava pensando essa noite, você podia ligar pra Mattel e pedir pra eles criarem um boneco dos Oompa Loompas pra mim.


Meu pai riu e, implacável, devolveu:


– Pedir pra Mattel vai ser difícil. Mas a gente pode fazer de outro jeito… Com Durepoxi.


– Durepoxi?


Aquela palavra abriu um mundo em minha cabeça. D-U-R-E-P-O-X-I. Como nunca tinha ouvido falar? E quando eu descobri que aquilo era uma massinha? Na verdade, duas: uma branca e uma cinza. Mistura bem a massa branca na massa cinza. Quando ficar tudo uniforme, pode começar a criar. Pedaço de resina grudado nos dedos. Cheiro de produto químico exalando. Coisa linda. Boa lembrança de infância.


O Oompa Loompa ficou muito melhor do que eu imaginei. Foi minha primeira criação com Durepoxi. Minha não, porque meu pai levou a missão bem a sério e criou o boneco praticamente sozinho. Esculpiu e pintou cada detalhe minuciosamente.


– Posso pintar o sapato dele, pai?


– Agora não, tem que esperar o resto secar.


Talvez tivesse medo de que eu estragasse sua grande obra. Ele até inventou uma articulação com peças de Lego pro boneco movimentar o pescoço – que acabou não dando muito certo, o Oompa Loompa ficou meio decapitado.


E até hoje, 25 anos depois, quando alguma ideia me parece meio impossível, eu lembro daquela solução do meu pai.


Afinal, pedir pra Mattel vai ser difícil. Mas a gente pode fazer de outro jeito.



E 25 anos depois, ele continua aqui comigo.
E 25 anos depois, ele continua aqui comigo.



Pra não perder os próximos

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Capa de vinil com link da playlist First Session no Spotify.

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