
“MONK” File 001: A Faísca
- "MONK"

- 19 de nov. de 2025
- 3 min de leitura
Atualizado: há 7 dias
E aí. Aqui é o Bernardo, fundador da “MONK”.
Criar essa marca tem sido a coisa mais maneira e mais desafiadora que eu já fiz.
Nesse espaço, vou compartilhar detalhes, processos, bastidores, decisões, erros, acertos e tudo o que a gente já carrega há um ano.
Pois é: a “MONK” já tem um ano.
Então bora voltar pra junho de 2024, onde tudo começou.
"MONK" File 001 — A Faísca
Era aniversário do namorado da minha melhor amiga, Marcella.
Esse casal mal bebe, mas resolveu comemorar numa festa de música eletrônica. E pior, foram trajados como quem costuma frequentar esse tipo de ambiente (o que não é o caso deles):
óculos escuros à noite.
Coisa de quem frita até o sol nascer (o que também não é o caso deles).
Mas o foco aqui não são os costumes desse casal de amigos.
O foco é o óculos.
O Raul, aniversariante, usava um modelo que todo mundo que via elogiava.
Eu já conhecia aquele óculos. E uma vez já tinha tentado comprar dele. A resposta foi:
“Esse aqui eu não vendo. Mas é da China. Te passo o link. 5 conto cada. O chinês faz até personalizado com seu nome.”
Em certo momento da festa, depois de ver aquele óculos chinês ser elogiado por pelo menos três pessoas aleatórias, virei pra ele e falei:
“Raul, a gente vai começar a vender esses óculos.
Eu crio a identidade visual, você importa da China e a gente monta uma marca. Sucesso.”
Durante o resto da festa toda, ficamos falando sobre a ideia, contando pros outros e mentindo que o exemplar que ele usava era o nosso protótipo (claro, óculos iradíssimo… mas só até você pegar na mão e perceber que era meio vagabundo).
No dia seguinte, não teve ressaca que segurasse o meu fluxo.
Abri o computador e comecei a imaginar o que poderia ser aquela nova marca de óculos.
Na época, eu tinha acabado de ler Todo Aquele Jazz, do Geoff Dyer, um livro que romantiza a história de alguns dos maiores gênios do jazz norte-americano.
Aquele universo ainda estava bem fresco na minha cabeça, e eu tinha ficado obcecado por dois personagens: Chet Baker e Thelonious Monk.
Aí tudo fluiu.
A estética da marca seria puro jazz.
E o nome?
Uma homenagem ao cara mais misterioso e inovador do livro:
"MONK".
Curto. Direto.
E soa bem em qualquer idioma.
Passei o domingo inteiro montando uma apresentação — logotipo, logomarca, tipografia, mockups — e enviei pro Raul, meu até então novo sócio.
Só tinha um problema.
Depois de olhar tudo aquilo pronto, ficou óbvio:
a marca tava boa demais pra vender uns óculos vagabundos da China.
Pela primeira vez, em alguns anos de publicidade, eu tava criando pra uma marca que seria do meu jeito, com qualquer tom, qualquer direção, o que eu quisesse.
E o Raul acabaria entendendo que eu seguiria sozinho por outra linha.
Principalmente depois que comecei a criar as estampas das camisetas. E foram essas estampas que de fato trouxeram a marca à vida.
A "MONK" acabou ficando muito pessoal.
Talvez pessoal demais — a ponto de, em certos momentos, eu nem saber me distinguir dela.
Mas isso fica pro próximo File.

Marcella e Raul - Aniversário do Raul,
9 de junho de 2024.
Pra não perder os próximos
"MONK" FILES.









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